segunda-feira, 2 de março de 2015

No 3?

O mundo não se importa. Seja o que for, prepare-se para ouvir o silêncio quando quiser gritar socorro. Acontece que não sei se já te contaram, mas seu problema é pífio. É, sabe essa angústia? Sabe essa saudade masoquista? Sabe esse medo de que nunca passe? A real é que a vida de todos ao redor vai continuar muito bem, obrigado. O ônibus 184 vai continuar a demorar pra chegar. O relógio não vai dar desconto, nem acréscimo. 
O juíz do tempo não está muito familiarizado com isso de poder julgar quanto tempo mais é necessário para que se ganhe, para que se vire o jogo, para que se deixe ser ganhado. Esse juíz, não analisa o desespero de quem assiste aos minutos passando como quem é golpeado cada vez mais forte. É que vai chegar o dia em que desejaremos alento e receberemos nada. Chegará o dia em que não cabendo mais no peito, aquela angústia (sim, a mesma de antes) vai resolver transbordar do corpo e aborrecer. Quando menos esperarmos, estaremos envoltos por pensamentos ansiosos pelo Oscar de melhor ator em fingir que angústia é o famoso "tô ótimo". Mas é, lá fora tudo continua apesar de você. Chico Buarque nunca pareceu tão filho da puta ao ser citado. 
As pessoas ainda levantarão cedo pra trabalhar na segunda-feira, enquanto uns terão que lidar com um corpo que teimará em se manter deitado pós noite mal dormida. Ainda teremos obrigações com os outros que não gostaríamos de ter. É que continuaremos nos importando com quem não se lembra de, algumas vezes, nos catalogar como prioridade, lembra? Sentiremos esse desejo louco de demonstrar afeto por quem só pensa em si. Só pra constar: aqui a gente sente, sente muito. Sinto muito por ser quem sente mais. 
O mundo vai continuar sem nos dar tempo, mesmo sabendo que cada um tem o seu e o usa como quiser. Pra uns, semanas. Pra outros, um pouco mais. É que aqui se é sincero. Sinceridade talvez seja pra alguns o que a invenção do avião foi: Uma liberdade nunca antes imaginável, mas que também significou uma nova forma de se fazer mal para quem não conhece o potencial do mesmo. Que me perdoe Cazuza, mas mentiras sinceras não interessam. No momento tô pedindo um pouquinho do braço de quem não se importa, só pra que se importe. Tem gente que não oferece nem a unha mas pede o corpo todo. O mundo não vai parar de ser o mundo, mas nós vamos parar pra pensar nele. Sozinhos e tendo que enfrentar um turbilhão de sentimentos que há pouco eram impensáveis. Não seremos loucos ao admitir que, isso aqui,  não é como nos filmes em que os que sofrem, ficam de background enquanto os que se encontram, formam o final feliz e fim, tudo certo. O mundo é muito mais cheio de figurantes do que de protagonistas, mas os testes pra essa vaga estão sempre abertos, basta decidir assumir o desejo de ser testada. Obrigada pela ajuda, mas assumiremos no 3. 1, 2, 3...


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